A “Estatalidad”, segundo Nozick, Schumpeter e seus críticos
Um desfecho para este ensaio, mesmo não lançando respostas definitivas ao problema discutido, está contido em “A Volta do Idiota”, livro que comenta o fortalecimento das esquerdas na América Latina:
Nozick inicia sua obra categoricamente: “Indivíduos têm direitos. E há coisas que nenhuma pessoa ou grupo pode fazer com os indivíduos sem lhes violar os direitos” (NOZICK, 1991: 9). Inicia, assim, um tratado sobre a função e a justificativa do Estado. Argumenta que “o Estado mínimo é o mais extenso que se pode justificar”, pois “qualquer outro mais amplo” (Ibid., p. 192) fere o direito à propriedade.
Este direito é considerado natural, inviolável e determinado por “princípios históricos” (Ibid., p. 174): a aquisição inicial da propriedade – ou seja, “como coisas não possuídas podem vir a sê-lo” ((Ibid., p. 171); a transferência – o livre mercado; e a reparação – correção de injustiças anteriores à distribuição. Conseqüentemente, “se o conjunto de propriedades é corretamente gerado, não há argumento que dê respaldo a um Estado mais extenso baseado na justiça distributiva” (Ibid., p. 247).
Sobre a “estatalidad”, Nozick e os libertários demonstram cautela quanto a afirmações como esta: “É necessário um Estado capaz de conduzir o rumo geral da sociedade, (...) regular os mercados, (...) estabelecer sistemas de proteção social baseados no princípio de universalidade da cidadania” (O’DONNELL, 2004: 190).
Para o Libertarianismo, as únicas obrigações do Estado são aquelas que dizem respeito à proteção dos direitos individuais, o cumprimento de contratos e a fiscalização. Qualquer outra além desse escopo fere direitos individuais, pois se utiliza de coerção, ao forçar os indivíduos a agir contra suas próprias vontades e habilidades. Portanto, aumentar o Estado, ao invés de aprimorar a democracia e a cidadania, perpetuaria a injustiça. Prejudicaria não só o direito à propriedade privada, ao redistribuir renda através de meios coercitivos (ex.: confisco), como também cometeria “interferência contínua na vida das pessoas” (NOZICK, 1991: 183).
Morresi, contudo, alerta: “Na América Latina, (...) a distopia de Nozick vem se realizando a passos largos”, pois “as reformas neoliberais estão convertendo o Estado em um ente raquítico, incapaz de enfrentar os interesses predominantes no mercado” (MORRESI, 2002: 296). Para ele, o Libertarianismo "serve de sustento à permanência e à expansão dessas iniqüidades" (Ibid., p. 295) nos países latino-americanos. O problema não residiria no excesso de Estado, mas na fraqueza e ineficácia do mesmo em combater as desigualdades socioeconômicas e a exclusão da maior parte da população dos direitos de cidadania. Logo, buscar uma nova “estatalidad” seria legítimo.
Schumpeter afirma que não existe uma vontade do povo, pois, "para diferentes indivíduos e grupos, o bem comum provavelmente significará coisas muito diversas" (SCHUMPETER, 1961: 301). No processo político, prevalecem interesses individuais. Conseqüentemente, há “ausência de uma vontade eficaz” (Ibid., p. 312); “o cidadão típico tenderia na esfera política a ceder a preconceitos ou impulsos irracionais ou extra-racionais” (Ibid., p. 313).
A democracia, para Schumpeter, é apenas um método de tomada de decisões políticas. Há eleições entre elites concorrentes, e a participação do indivíduo se resume ao momento do voto. “O método democrático é um sistema institucional (...) no qual o indivíduo adquire o poder de decidir mediante uma luta competitiva pelos votos do eleitor” (Ibid., p. 321). O princípio, então, passa a ser a vontade da maioria.
No caso latino-americano, a argumentação schumpeteriana questionaria o conceito de democracia contido em “estatalidad”. Que tipo de cidadania é almejado? Até que ponto ela realmente atende ao bem comum? Buscar uma maior participação política, mesmo quando bem-intencionada, não atenderia às vontades dos cidadãos: o "resultado pode ser igualmente desagradável, embora por diferentes razões, a todo o povo" (Ibid., p. 305). Sendo assim, uma radicalização da democracia se choca com as dificuldades em articular interesses entre os grupos sociais.
Há, no entanto, críticas à concepção de Schumpeter. Segundo Miguel, ele é o elo entre a Teoria das Elites e uma conservadora concepção de democracia. Nela, o processo eleitoral deixa de ser o meio para ser o fim democrático em si. Exalta-se a “apatia política" como contraponto ao "excesso de participação" (MIGUEL, 2002: 503). Com isso, “se reerguem as vozes dos que afiançam que” a desigualdade “é ‘natural’ e ‘eterna’” (Ibid., p. 486). Porém, para Miguel, a “estatalidad”, assim como a democracia participativa, não seria inviável, pois “a idéia de ‘governo do povo’ – no sentido da igualdade efetiva na tomada das decisões públicas – insiste em permanecer à tona" (Ibid., p. 506).
Os ceticismos de Nozick e Schumpeter, em relação a Estado e democracia, são movidos por concepções de natureza humana distintas. O libertário americano considera o indivíduo como dono absoluto de seus talentos; portanto, deve ser insubmisso a uma autoridade externa que fere sua liberdade individual. Já para o liberal austríaco, o problema é a bestialização: "o cidadão típico cai para um nível mais baixo de desempenho mental assim que entra no campo político. Argumenta e analisa de maneira (...) infantil” (SCHUMPETER, 1961: 313).
Esses diferentes pressupostos os levam a conclusões variadas. Nozick acredita que ter utopias é desejável. Comunidades independentes podem existir, contanto que não prejudiquem umas às outras e nem aos direitos dos indivíduos que as compõem; ou seja, eles devem ser livres para sair delas quando assim desejarem. Já Schumpeter quer o mínimo de participação política porque, como contemporâneo a regimes totalitários, temia mobilizações de massa que levassem a perigosas convulsões sociais - e que, em última instância, ameaçam a liberdade civil.
Ambos, portanto, discordariam da “estatalidad”, mas por motivos diferentes. Os libertários acreditam que a América Latina não resolverá seus problemas através de uma justiça distributiva que não respeite a propriedade privada e a autonomia dos indivíduos. Ou seja, combater problemas socioeconômicos envolve o respeito às liberdades e direitos individuais. Já os “democratas concorrenciais”, mais conseqüencialistas, não encontram viabilidade em reformas que visam à maior participação e deliberação, pois ambas exporiam desavenças e desarticulação de interesses, que só prejudicariam a eficiência e estabilidade do método democrático.
MIGUEL, Luis Felipe. “A Democracia Domesticada: Bases Antidemocráticas do Pensamento Democrático Contemporâneo”. Dados – Revista de Ciências Sociais, vol. 45, nº 3, 2002.
MORRESI, Sergio. “Robert Nozick e o Liberalismo Fora de Esquadro”. Lua Nova, nº 55-56, 2002.
NOZICK, Robert. “Anarquia, Estado e Utopia”. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1991.
O’DONNELL, Guillermo (em colaboração com Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas). “A Democracia na América Latina: Rumo a uma Democracia de Cidadãs e Cidadãos”. São Paulo, LM&X, 2004.
30 Junho 2009
19 anos e 1 dia
Talvez tenha sido o melhor 29/6 da minha vida, sem exageros.
Para começar, minha mãe, de volta de uma viagem à Venezuela, veio me visitar no domingo, e ficou até ontem de manhã.
Passei a maior parte do dia com a Laura. Almoçamos na Subway, jantamos crepes, assistimos a um documentário do History Channel sobre Grécia Antiga...
Ah, e ela me deu vários presentes, e adorei todos eles:
- Um CD, "Os Grandes Sucessos de" Raul Seixas;
- Um DVD, "Efeito Borboleta";
- Um pôster dos Beatles;
- Um livro, em inglês, com as peças teatrais de Oscar Wilde.
O legal é que, só em Junho, já passamos por três datas importantes: her birthday (1º), o dia dos namorados (12) e o meu 'niver' (29).
No mais, o semestre universitário está em reta final. Hoje tive a prova de Literatura Polonesa (foi fácil), ontem foi a de Francês Básico 2 (tanto oral quanto escrita), sexta-feira realizei o 3º exame de Partidos Políticos, quinta foi o de TRI1. HSPG já acabou, e fiquei com SS mesmo.
Amanhã é a 'dead line' para o ensaio final de TPC, e ainda vou aplicar a prova de TPM na turma de que sou monitor. Sobre TP Contemporânea, ainda nem comecei a escrever, mas já decidi que meu texto será sobre as idéias de Robert Nozick e Joseph Schumpeter, mas também usarei L.F. Miguel, "A Volta do Idiota" e Sergio Morresi como fontes. Tenho que terminá-lo até 14h de amanhã, portanto!
Preciso entregar a prova de PB1 até 2ª que vem, e depois de amanhã é a segunda parte do meu seminário sobre "Solaris" para Lit. Polonesa.
Presenteei-me com um CD com minhas 19 canções favoritas. Ficou excessivamente britânico (15 das 19 faixas), admito, mas tentei fazer uma seleção equilibrada: mods, post-punk, shoegaze, BRock, clássicos, britpop etc. Vejam como ficou:
1. I Am The Walrus (The Beatles)
2. Isolation (Joy Division)
3. Bone Machine (Pixies)
4. Country Sad Ballad Man (Blur)
5. I Wanna Be Adored (The Stone Roses)
6. Rubber Ring (The Smiths)
7. Metal Contra As Nuvens (Legião Urbana)
8. Ando Meio Desligado (Os Mutantes)
9. Diversão (Titãs)
10. A Forest (The Cure)
11. Ceremony (New Order)
12. Roll With It (Oasis)
13. Should I Stay Or Should I Go (The Clash)
14. Dancing Days (Led Zeppelin)
15. The Dark Of The Matinée (Franz Ferdinand)
16. Start! (The Jam)
17. I Can See For Miles (The Who)
18. Lola (The Kinks)
19. Here She Comes (Slowdive)
Boa noite; acho que vou dormir para acordar renovado amanhã e fazer a prova da melhor maneira possível.
23 Junho 2009
Post-silence
- Ah, vocês ficaram sabendo? Domingo passado, dia 17, justamente no dia do aniversário da Júlia, ela e o César se beijaram! So cute!
- Poxa, Alice! Nós dois estávamos falando misteriosamente, da maneira mais ambígua possível, e você vem, se intromete e revela o segredo?
- Ué, Giovana, foi mal. Achei que vocês já tinham passado dessa fase, de ficar fazendo fofoca em códigos...
- Relaxem, garotas, sem brigas desnecessárias. O fato é que dois de nossos melhores amigos, finalmente, estão namorando!
- Pois é, adorei essa notícia. Porém, se isso fosse um livro, teríamos esperado 349 páginas por esse acontecimento. Quantas idas e vindas desde 16 d.M., não?
- Exatamente, Alice. Parece que foi a Júlia quem tomou a iniciativa do beijo! O César é mesmo um bobo: 3 anos a tendo como melhor amiga, e ainda assim não foi o responsável pelo ato simbólico...
- Eu até que o entendo, garotas. Também tive dificuldades para iniciar meu 1º beijo. Tudo bem que ele ocorreu muitos anos atrás, mas compreendo a insegurança e a timidez do César. A sorte dele é ter conhecido uma garota tão legal - e de atitude - como a Júlia.
- Concordo. Sendo piegas, "eles foram feitos um para o outro". Suas características, qualidades são complementares, de uma maneira bem peculiar. Logo, não fiquei surpresa quando descobri sobre o beijo. Achei até que demorou, hehe.
- Será que eles estão namorando mesmo?
- Não sei, César e Júlia andam muito calados sobre isso. Como diria Collor, "o tempo é o senhor da razão". Portanto, em breve saberemos...
(1 mês depois, 23 de Junho de 19 d.M. César e Henrique conversam)
- ... o que ocorreu no Conselho foi um problema de falta de comunicação, até mesmo de ação coletiva. O movimento estudantil está fragmentado, cheio de disputas de ego e oportunismo político. Utilizam causas importantes, como as fundações e a Casa do Estudante, como bandeiras para autopromoção, sem se preocupar com a importância crucial daquilo que está se discutindo. O futuro do M.E. de nossa UNICOS é delicado, meu caro César. O que a sua chapa, "a da direita", pensa a respeito disso?
- Serei sucinto, porque essa discussão (aliás, exposição programática feita por você) já está cansando. A opinião que eu e meus colegas liberais/libertários/conservadores compartilhamos é a seguinte: essa nova invasão da reitoria, assim como o impedimento da reunião do Conselho, foram ilegítimas, ilegais, irresponsáveis, sem civilidade e muito menos respeito à liberdade de expressão. A sua chapa, que é o atual 'governista' do Diretório, tinha a possibilidade de fazer algo a respeito, mas preferiu a omissão, em uma atitude lamentável e covarde. É como se vocês fossem coniventes com o radicalismo daquela meia-dúzia de "revolucionários" batedores de panela. Sinto muito, mas seu tom melancólico não me convence de que vocês não erraram em sua avaliação e (falta de) ação. Agora, chega, estou sem paciência para debater política estudantil. Vamos mudar de assunto?
- Ai, ai, tudo bem, César... Mas, em breve abordarei novamente esta temática, e que você não se ausente de uma discussão sobre os rumos de nossa universidade, certo?
- Tudo bem, Henrique... Vamos, sugira um tópico.
- Ok, eu sei que quase nunca falo (ou deixo as pessoas falarem) sobre assuntos 'pessoais', relacionamentos, amor etc., mas hoje vou abrir uma exceção. Até mesmo porque eu mesmo ando menos cínico sobre assuntos românticos, então seria legal jogar esse tema numa conversa. Conte-me sobre como vão as coisas entre você e a Júlia. Prometo que não vou interromper.
- Uau, é raro ver você interessado por falar sobre isso... Façamos o seguinte. Hoje à noite, escreverei um texto, e você poderá lê-lo depois. É que, sei lá, não estou acostumado a falar diretamente às pessoas sobre meu namoro, mas acho que hoje posso quebrar, literariamente, meu silêncio de 1 mês about it:
Estava tocando The Who. "I Can See For Miles". Lentamente, nossos lábios se tocaram. Não tenho dúvidas: foi ela quem tomou a iniciativa do beijo. Não que eu não quisesse; pelo contrário, passei aquela noite inteira pensando nisso. Porém, faltava-me a coragem. Felizmente, ela não foi tão 'mole' quanto eu, e iniciou aquilo por que tanto esperávamos: a confirmação simbólica de que realmente gostávamos um do outro.
O mais fantástico de tudo é a combinação de acasos e fatores. Primeiro, dia 17 era aniversário dela. Segundo, o Mário estava jogando Need for Speed na kit, o que nos impediu de ficar por lá, estudando. Resultado: fomos no carro dela, jantar no McDonald's. Terceiro, eu tinha acabado de voltar de uma viagem-relâmpago para Pastória, e estava meio deprê. Porém, quando ela ligou para mim, às 16h, e eu ainda estava no ônibus (perguntou-me que hora eu chegaria em Cosmopólia), minha intuição dizia que algo importante iria acontecer entre nós, naquela noite. Não necessariamente um beijo ou coisa do tipo, mas pelo menos uma conversa que marcasse as nossas vidas.
Realmente, conversamos por horas a fio. Falamos sobre antigas paixões, estudos, livros, música, ambições, decepções... Descobri muitas coisas sobre a vida dela que ainda não sabia, e vice-versa. O tempo foi passando, e, 0h30, quando tecnicamente já nem era mais 17 de Maio, nós nos beijamos. Nosso 1º beijo foi longo, e inesquecível.
Os dias que se seguiram foram também muito especiais. Talvez porque ainda não soubéssemos o 'status' de nossa relação, entramos em um período de extrema liberdade, e passávamos horas juntos - mas, por outro lado, foi também uma época de "hedonismo burro". Faltamos algumas aulas, e eu cheguei atrasado em quase todos os dias da simulação de que estava participando. Felizmente, no último dia, resolvi calar todas as críticas e conduzi bravamente os trabalhos para aprovar uma versão revisada de um projeto sobre voto distrital misto.
Uma semana depois, já nos tratávamos como namorados. Porém, nem tudo eram flores. Também tivemos brigas. Júlia me deu várias broncas, a respeito de atitudes egoístas e fracas que eu estava tomando. Eu procurei melhorar o máximo possível, para provar a ela que não há sacrifício que eu não estarei disposto a fazer para provar meu amor a ela. Ah, sim, falei a palavrinha mágica: "amor". Ele brotou da maneira mais intensa possível entre nós, o que nos deu forças para superar vários dos problemas que estamos a enfrentar neste semestre (principalmente ela, que está em um período complicado de sua vida).
Outro aspecto importante que descobrimos desde que começamos a namorar foi quanto à quebra de expectativas e (pré) conceitos que tínhamos um do outro. Os estereótipos que as pessoas geralmente atribuem à minha linguagem corporal dizem respeito ao meu jeito introspectivo, aparentemente inseguro, excêntrico e megalomaníaco. Quanto à Júlia, ela, à primeira vista, parecia ser fria, cética, arrogante etc. Ela, no entanto, descobriu, que eu sou seguro de mim mesmo, auto-consciente, transigente, pacato (um "idiossincrático banal", enfim), e eu pude ver o quanto ela é extremamente sensível, romântica, determinada e adorável.
Enfim: eu a amo, "de todas as formas possíveis: como namorado, como amigo, como parceiro (inclusive intelectual), como admirador". Finalmente, meu livro tem um desfecho, embora eu ache que este namoro é apenas o início de uma nova história, menos angustiante e entediante do que aquela que eu estava a escrever em minha existência.
"Pouquíssimas pessoas realmente fizeram alguma diferença na minha vida. Certamente, Júlia é uma delas, e está no topo dessa 'lista'."
(Júlia, em monólogo)
Já faz mais de um mês desde aquele beijo entre eu e o César. Muito ocorreu depois daquilo; Maio e Junho foram dois dos meses mais turbulentos de minha vida. O percurso foi tortuoso, mas cada vez mais temos a certeza de que nos amamos.
Vamos começar falando dos problemas; "as más notícias primeiro". Uma das coisas que mais achei desgastante até agora é precisar frequentemente dizer ao César, com todas as letras, o que ele precisa fazer para me agradar, para não me decepcionar. Isso vale desde a questão da alimentação (afinal, ele andava comendo só 'junk food') até coisas mais sérias, como a atitude que eu esperava de um namorado. Sei lá, faltava a ele me passar segurança e auto-confiança, ser menos egocêntrico e auto-indulgente... Além, é claro, de entender naturalmente os meus sentimentos, sem que eu precisasse ter que explicar a ele como queria que agisse.
Pronto, falarei agora dos (inúmeros) pontos positivos de nosso namoro. Ele é atencioso, sincero, delicado (às vezes parece que ele é a "menina" do relacionamento, hehe), constante, afetuoso... Enfim, lindo! Revelou-se uma pessoa fantástica, com quem eu adoro dividir o meu dia-a-dia. E, fico feliz de ver que ele realmente está mudando, sendo mais espontâneo. Além do mais, César vem me ajudando muito nas últimas semanas, época complicada de minha vida (tanto pessoal quanto acadêmica). Aos poucos, ele vem se tornando um "ponto de apoio" para mim nos momentos difíceis - e vice-versa, segundo ele.
Temos vários gostos em comum, embora César ainda prefira Joy Division e Blur a Chico Buarque e Caetano... Descobri que ele gosta quase tanto quanto eu de cultura 'queer'. O próprio livro que ele me pediu de Dia dos Namorados ("Uma Casa no Fim do Mundo", do Michael Cunningham - César já o leu 2 anos atrás, mas ainda não o tinha 'fisicamente'), assim como o fato de que ele também curte Queer as Folk, Placebo, Montage, Oscar Wilde etc. me deram a certeza disso. Ah, e assistimos juntos a um filme que ele me indicou: "Velvet Goldmine", sobre o glam rock setentista. Digamos que, embora 'straight', ele é culturamente um 'fag', hehe.
Adorei as cartinhas que ele me mandou, tanto de aniversário quanto de Dia dos Namorados, de 1 mês de namoro, entre outras. São coisas como estas que me fazem acreditar que este relacionamento está dando certo - "here, there and everywhere".
24 Maio 2009
What ever happened
- Sei lá, o César e a Júlia estão bem estranhos desde a manhã de 2ª feira passada... Alegres e tristes "do nada", sempre andando juntos, muito misteriosos... que será que aconteceu com eles?
- Acho que a pergunta deveria ser "o aconteceu entre eles". Parece que houve alguma coisa no domingo à noite passado que mudou o comportamento deles. Algum palpite?
- Não me arrisco, pode ter acontecido aquilo que se imaginava, ou mesmo o contrário. E o pior é que já surgem boatos dos mais variados para explicar certas transformações na conduta dos dois.
- Pois é, as pessoas andam estranhando o fato de o César ter começado a usar lápis de olho e agido 'picaretamente' durante a maior parte daquela simulação de Congresso da qual ele participou.
- E, a Júlia parece estar bem desencanada (no bom e no mau sentido) em relação aos estudos. Será que... ? Não, isso é impossível.
- Tem certeza? Mistééério...
18 Maio 2009
Bloom
Wow. "I know you've deceived me, now here's a surprise
I know that you have 'cause there's magic in my eyes
I can see for miles and miles and miles and miles and miles
Oh yeah
If you think that I don't know about the little tricks you play
And never see you when deliberately you put things in my way
Well, here's a poke at you
You're gonna choke on it too
You're gonna lose that smile
Because all the while
I can see for miles and miles
I can see for miles and miles
I can see for miles and miles and miles and miles and miles
Oh yeah
You took advantage of my trust in you when I was so far away
I saw you holding lots of other guys and now you've got the
nerve to say
That you still want me
Well, that's as may be
But you gotta stand trial
Because all the while
I can see for miles and miles
I can see for miles and miles
I can see for miles and miles and miles and miles and miles
Oh yeah
I know you've deceived me, now here's a surprise
I know that you have 'cause there's magic in my eyes
I can see for miles and miles and miles and miles and miles
Oh yeah
The Eiffel Tower and the Taj Mahal are mine to see on clear days
You thought that I would need a crystal ball to see right
through the haze
Well, here's a poke at you
You're gonna choke on it too
You're gonna lose that smile
Because all the while
I can see for miles and miles
I can see for miles and miles
I can see for miles and miles and miles and miles
and miles and miles and miles and miles
I can see for miles and miles"
17 Maio 2009
Gloom
Quem diria que alguém que, até recentemente, finjia ser egocêntrico e arrogante para afastar as pessoas e se isolar do mundo, agora consegue fazer uma revelação tão constrangedora quanto esta.
13 Maio 2009
Gates of Dawn
... estava bastante ansioso em relação à festa da Bio. Inicialmente, ele nem pensava em ir, mas de repente viu que o convite de Alice não era de se descartar. Afinal, a semana havia sido exaustiva, com toda a campanha política e, é claro, as matérias e aulas. Portanto, aproveitar a noite de sexta era não só uma opção agradável, como também indispensável para que ele se desestressasse um pouco.
Combinou de pegar carona com um colega. Enquanto o mesmo não chegava, ficou pensando nos projetos políticos que tinha para a universidade. A responsabilidade que teria agora que fazia parte do diretório era imensa. Como deve ser "estar no poder, na situação"? Será que ele iria fazer diferente mesmo?
Porém, resolveu entrar na internet para chegar na festa com a mente mais fresca. A noite prometia.
(Giovana)
O ínicio da festa foi agradável. Encontrei alguns colegas, e conversamos enquanto os portões não abriam.
Os primeiros minutos foram especialmente cômicos. Estava tocando disco/70s, e os meus amigos alopravam na pista. Eu mesma não me contive, e fiz uns passos bem escrachados. Outro bom momento foi quando tocou "Unbelievable", do EMF. Olha, nem sou tão aficionada por música que nem o César, a Alice ou a Júlia, mas há certas canções de bandas 'one-hit wonders' que realmente são obrigatórias em uma festa que se preze, né?
Havia passado a semana bem confusa, como sempre. Dúvidas, inquietações, incertezas... Céus, quase fico com dor de cabeça só de relembrar o tanto que minha mente ficou atolada nos últimos dias.
E a pressão vinha de todos os lados, sabe? Trabalhos da faculdade, briguinhas bobas com colegas por motivos ainda mais bobos, desilusões contínuas no campo dos sentimentos, falta de tempo para dormir e me alimentar bem, minha mãe me enchendo o saco porque não pude ir para Pastória no Dias das Mães... Aliás, sobre esse último probleminha: juro que é porque eu tinha que terminar uma prova a ser entregue na 2ª de manhã, mas ela pensa que é porque eu sou uma filha desnaturada, mal agradecida.
Nem quero ficar pensando nisso, chega! Oba, estão tocando "Olhar 43"!
(Júlia e/ou César)
O que fazer? 1h30 da manhã, e eu pareço devorada(o) por um "eterno retorno": diversão durante algumas horas, seguida de súbita melancolia nas seguintes. Afastei-me do meu grupo, e fui sentar em um lugar qualquer, bem afastado, entregando-me à consternação. Não queria mais nada: nem amigos, nem música, nem festa, nem prazer... Enfim, é como se eu caísse no vazio, desistisse de viver.
Não conseguia sequer chorar, pois minha alma já estava tão congelada por esse desprezo por mim mesma(o) e a tudo que me cerca, que expressar qualquer tipo de emoção era simplesmente impossível.
Porém, foi nesse ponto que eu resolvi reagir. Precisei chegar à fossa mais profunda para despertar da letargia. Veio-me em mente a seguinte frase, tão banal e tão efetiva: "O que você tem a perder?"
Passei os últimos 18 - quase 19 - anos recusando-me a ser espontânea(o). Evitei toda e qualquer oportunidade que tive para desfrutar de uma existência menos sistemática. Sei que isso é um pedantismo desnecessário, mas não custa nada constatar que, durante todos esses anos, defendi a liberdade, o laissez-faire e a autonomia individual, mas comportei-me como uma autarquia obsoleta e regida implacavelmente.
Detesto falar em contradições, então usarei outros termos para dizer praticamente a mesma coisa: minhas multiplicidades estão em uma coexistência tão conflituosa, que, uma hora ou outra, eu terei que fazer escolhas, e me decidir por uma delas em detrimento das demais. E, sinceramente, pela 1ª vez visualizo meu "eu mundano" próximo de prevalecer.
Foi nessa hora que eu e o César (a Júlia) começamos a andar e dançar juntos. A música estava animada (algum techno da vida, bem ao gosto da Alice), mas isso era o que menos importava naquele momento.
Passamos algum tempo sentados na grama, usando a jaqueta dele (a minha jaqueta) como "tapete" - de mãos dadas, calados. Nem tinha certeza - ou preocupação - se gostávamos um do outro (qualquer dia falo sobre o que é ter uma amizade assexuada em estágio avançado), ou mesmo se avançaríamos para o "próximo passo". Mas, nada disso me interessa agora. Durante aquela hora e meia, eu queria ficar perto dele (dela), e vice-versa. Aquelas paixões malogradas pelas quais havíamos passado já eram pretérito perfeito. Voltar a ser livre é maravilhoso. "I'm taking a ride with my best friend".
(Alice)
Depois que ele foi embora (tinha que dormir cedo para estudar para uma prova), fiquei sozinha, mas não solitária. Já eram 3 da matina, mas a noite ainda estava longe de acabar. Voltei para a pista de dança e fritei.
O César me disse que na tenda mais vazia estavam discotecando anos 80 (Dire Straits, New Order, Joy Division, Siouxsie), e que ele e a Júlia estavam fazendo suas dancinhas 'góticas'. O Mário e o Henrique foram curtir o cover de Mamonas Assassinas, que estavam tocando no palco principal. Eu e a Giovana resolvemos ficar na tenda electro mesmo. Pessoas descoladas, muita androginia (nada no nível Party Monster, mas o suficiente para uma festa com reputação queer), música poderosa... enfim, coisas que eu sempre curti na festa da Bio.
Se fiquei com alguém? Nem lembro. A Giô disse que peguei 2 ou 3 caras aleatórios, mas o simples fato de eu nem ter me recordado deles (e olha que nem bebi tanto, foram só algumas vodkas e drinks) demonstra o quão irrelevantes eram os garotos que eu peguei.
Porém, foi só no fim da noite que fiquei sabendo que uma amiga minha tinha passado mal.
(Mário)
"Usando aquela gíria bobinha", disse, "ela deu P.T." Foi a primeira vez, pelo que lhe disseram. "Eu e o Henrique até demos uma passada lá para cuidar dela, mas o Edgar e o Fábio já estavam lá de plantão".
Mário disse que se preocupou com dela, mas no dia seguinte, pelo Messenger, ficou mais tranquilo. "Foi um susto, mas ela mesma me disse que serviu de lição para não se repetir mais. Se com ela acontecer o mesmo que eu (um 'problema etílico', e a noção dos próprios limites), beleza, já me despreocupo. Enfim, a festa da Bio foi uma degradação, mas deu para curtir um pouco. O cover de Mamonas foi hilário!"
Embora tenha achado que a banda estava mais 'wasted' que o próprio público, ele não mudou sua opinião de que o show havia sido bom. Porém, já eram quase 5 da manhã e ele queria ir logo para casa, pois daqui a algumas horas haveria treino de Fórmula 1. Ele sentia pena de César, que teria que acordar mais cedo por causa de uma reunião de um projeto no qual havia se inscrito.
No final das contas, só Mário e Henrique foram a Pastória no Dia das Mães. Os pais de Alice foram visitá-la (afinal, alguns parentes dela moram em Cosmopólia), e outros três agiram como "filhos insensíveis", e colocaram suas obrigações acadêmicas como mais importantes para aquele domingo do que fazer um agrado às mães.
Ok, trivialidades à parte, era hora de dormir, "pois a F1 não vai me esperar".
11 Maio 2009
Pit Stop
Resolvi dar vazão ao meu lado "escritor frustrado" nos últimos dias, e fiz aquela sequência de textos, utilizando os personagens do meu livro. Começou como uma tática do pós-fossa, mas acabei me empolgando e tornando tal estilo de postagem algo mais recorrente.
Estive cheio de atividades nos últimos dias (e ainda estou), então só passei aqui para dar um olá.
Coisas sobre as quais falarei nos próximos posts: BioVinil, Politeia, prova de TPC, aplicar prova de TPM, Fórmula 1, Palmeiras, dia das Mães, upgrades musicais, "my personal life" e outras trivialidades. Além, é claro de mais "historinhas".
Agora, se me dão licença, vou assistir a "Party Monster" (afinal, estar atolado de tarefas não significa abdicar de um cineminha no notebook). Estou enrolando para ver esse filme desde, sei lá, 2005. De hoje à noite não passa. Bye.
07 Maio 2009
Th(r)e(e) party(ies)
Sinceramente, irei à festa para experimentar teorias e paquerar garotas. Como? Oras, testarei cantadas e flertes que aprendi nas últimas semanas, mas também tratarei de ficar observando as pessoas e calculando possibilidades. Adoro combinar racionalidade com desejos e sensações. O César diz que me pareço com o Hans Castorp: um engenheiro com coração.
Ando tão cheio de planos e tarefas que não perderia a primeira oportunidade de descarregar essas tensões e preocupações. Logo, uma balada é a ocasião perfeita para ter uma 'diversão planejada'.
Durante a conversa, nós meio que fizemos uma divisão - cada um de nós deveria tentar convencer outra pessoa a ir à festa. Incubi-me de persuadir a Giovana. Porém, ela anda meio estranha nos últimos dias - sei lá, mais relativista do que nunca. Para ela, ninguém está certo ou errado: "é tudo uma questão de ponto de vista". A Giovana jura que isso é reflexo de uma atitude mais relaxada da parte dela em relação à realidade, mas algo me diz que, no fundo, ela fez ou fará algo que procurará justificar com esse discurso perspectivista.
Alice O Mário puxou conversa sobre a festa, e o assunto veio bem a calhar. Estou animada em relação a esse evento da Bio; eles têm tradição no ramo. Não tanto quanto nós, seres gloriosos da Comunicação Social, mas o suficiente para gerar uma boa festinha. A lista de DJs e shows parece bem promissora.
Minha mentalidade festiva é bem simples: aproveitar cada uma como se fosse meu último dia na face da Terra. Adoro perder o controle durante algumas horas, toda vez que tenho "a date with the night". Eu deixo as coisas rolarem, só me preocupando com arrependimentos (ou, quando possível, a ausência deles) no dia seguinte. Há quem chame essa postura de hedonismo, epicurismo ou sejá lá o que for. Eu prefiro considerar isso uma atitude válida de uma jovem que quer apenas curtir, sem frescuras ou maiores pretensões. Vou dançar bastante, e, se der na telha de ficar com alguém, por que não?
Tive uma semana bem complicadinha, cheia de provas e campanhas políticas. Minha chapa, de esquerda moderada, perdeu para a do Henrique, que é um "socialista mainstream", coisa de petistas mais tradicionais (e não esses vendidos de hoje em dia). Ficamos em um clima meio que de rivalidade; ainda mais ele, que leva política muito mais a sério que eu - que tenho mais com o que me preocupar, né?
Então, agora que a chapa dele venceu a eleição para o diretório estudantil, o Henrique ficou todo exibido. Nem sei se ele vai querer ir na festa da Bio. Porém, vou propor uma trégua partidária para tentar convencê-lo. Ia ser legal tê-lo por lá. Já que o levei pro mau caminho há alguns anos, nada como continuar curtindo junto com ele, até hoje, a nightlife de Cosmopólia. Além do mais, fiquei responsável, depois de um acordo com o Mário e a Ju, de "cuidar" dele; então, façamo-lo.
Júlia Que tédio. Ainda bem que teve o show do Oasis na TV, hoje à noite, para salvar o meu dia. Tocaram várias das minhas prediletas, tais como "The Importance of Being Idle" e "Supersonic". E, de quebra, ainda apresentaram um cover daquela que César considera a melhor música de todos os tempos: "I Am The Walrus", dos Beatles.
Sobre minha quinta-feira: à primeira vista, horas de palestras, filmes e conversas podem parecer uma maneira agradável de aproveitar o dia. Infelizmente, só parecem. Palestras enfadonhas, filmes caricatos, conversas improdutivas. Nada muito relevante, percebe-se. E olha que eu gosto de cinema, seminários e (um pouco, bem pouco mesmo de) socialização. Cheguei em casa (se você considerar uma kitnet como tal) esgotada fisicamente.
Porém, nada disso me desanima em relação à festa de amanhã. Gradualmente, venho acostumando-me ao ritmo da vida noturna universitária. Ao contrário do Ensino Médio, em que a opção pelas noites misantrópicas era mais do que natural (e sensata), agora eu não tenho mais desculpas para passar a sexta e/ou o sábado sem ter nada para fazer. Continuo a me sentir deslocada quando me arrisco a tentar conviver em sociedade, mas, se a música for boa, tudo vale a pena - até mesmo aguentar "as pessoas".
É nesse intuito que pretendo ir - para saber o que estou perdendo ou não fora da solidão. Só resolverei minha desconfiança me arriscando, e não preciso de horas de reflexões existenciais (como meu amigo com nome de imperador romano) para chegar a uma conclusão tão óbvia. Além do mais, é uma perfeita ocasião para constatar a decadência alheia. Os antropólogos chamariam isso de "pesquisa de campo", mas eu, como internacionalista arrogante que sou, nem me dou ao luxo de criar jargões para isso. Oras, é apenas uma distração do tédio rotineiro.
Eu, o Mário e a Alice estávamos a conversar hoje, e, em meio a assuntos bestialmente aleatórios, decidiu-se que cada um de nós iria abordar algum de nossos(as) amigos(as) para convencê-los a ir na festa. Esperta que sou, escolhi o César, sabendo que ele já comprou o ingresso há umas duas semanas, ainda no 1º lote. Ele parece muito empolgado em relação ao evento da Bio, ainda mais levando em conta que ele acabou de sair de um infortúnio sentimental. Acho que ele já esqueceu a Flor, ou pelo menos parece tê-lo feito; portanto, aproveitará a festa sem maiores dramalhões. Não o vejo tão ansioso em relação a uma "going out" desde o show do New Order, há mais de 2 anos. Isso é ótimo, mas algo continua a me preocupar; não sei ao certo, talvez ele esteja escondendo ou remoendo algo... Hei de perguntá-lo a respeito disso.
Bem, acho que era isso que eu tinha a dizer.
06 Maio 2009
Opinião Externa
- Você viu? O César escreveu um texto, contando para todo mundo, mesmo que sob forma fictícia, sobre o 'episódio' que ele teve na semana passada!
- Pois é. Sei lá, achei desnecessário. Às vezes ele exagera; sente-se tão legitimado por aquilo que você chamou nele de "extro-introspecção", que começa a ficar fofocando sobre a própria vida (e a daqueles que convivem com ele), como se se sentisse no direito de julgar tudo e todos.
- Não é bem assim; até duvido que ele tenha tamanha malícia. No final das contas, é a maneira que ele encontra para resolver seus problemas. Colocar no 'papel' e expô-los para que quem quiser leia. Acho que, no fundo, essa é a idéia dos blogs intimistas, da 'old-school': um diário aberto, em que você compartilha seus segredos, pouco se importando se ninguém, poucas ou várias pessoas irão ler.
- Eu sei, Giovana, mas reprovo essa conduta. Ele pode magoar quem teve sua vida exposta, mesmo que indiretamente, em suas historinhas. Há certas coisas que podemos (e deveríamos) guardar para nós mesmos - e nisso incluo desde a fé até detalhes sórdidos de nossas vidas.
- Não seja tão dogmático, Henrique. Você mesmo gosta de fazer pregações político-ideológicas (essa última eleição acabou de provar isso), ou mesmo contar para todo mundo o quanto a sua vida mudou depois que você fez 15 anos, e toda aquela ladainha...
- Sim, mas eu não tomo a iniciativa de ficar contando isso para as pessoas, ao contrário dele. Só o faço quando elas me dão abertura para fazê-lo. Acho que você mesma é assim; raramente a vejo revelando para todo mundo sua intimidade.
- Óbvio, afinal quase ninguém entenderia sequer um milésimo dos meus, por assim dizer, traumas foucaultianos. Então, é melhor ficar calada. Porém, agir diferente do César (com seu auto-conhecimento externalizado) ou mesmo da Júlia (que satiriza e despreza as pessoas como válvula de escape para seus próprios problemas) não significa que eu deva reprovar a conduta deles.
- Entendo, mas você não acha que ele, mesmo que não deliberadamente, fez um texto meio 'vingativo'?
- Não. Poxa, Henrique, pare com esse maniqueísmo. Não há apenas uma ou duas interpretações possíveis para as atitudes humanas. Há toda uma teia de detalhes que devem ser analisados antes de um veredicto - e mesmo essa decisão deve ser relativizada. Não quero parecer advogada do diabo, mas há mais na psiquê do César (ou da Júlia, Alice, Mário...) do que seu dogmatismo quer ver.
- Então, mostre-me. O que há para ser compreendido, além de um típico "já que ela não me quer, vou contar pra todo mundo o que aconteceu"?
- Antes de tudo, uma inspiração literária. O César, que sempre reclamou que nunca tinha histórias dignas de serem contadas em um livro, passou por uma situação razoavelmente válida, tanto para o aprendizado dele (que, espero, aprendeu a ser menos iludido no campo do amor) como para exercício estilístico. Concordo que o texto poderia ter sido melhor elaborado, para não ficar tão "óbvio", mas talvez ele mesmo não quisesse formalizar demais algo que não o precisava. Em segundo lugar, preste atenção no desenrolar da trama: depois do fato em si (enfatizado por sublinhados em vermelho), ele pára e reflete, e constata que não existem culpados e vítimas na história; no máximo, uma pessoa que precisou de uma situação extrema para abandonar idéias pré-concebidas; aliás, algo que você mesmo deveria aprender.
- Tudo bem, mas e o ressentimento? Ele fala que quer evitá-lo, mas escrever tão explicitamente sobre o assunto já não denota uma vontade de despejar amarguras?
- Acho que não. A própria filosofia dele, o Anfisismo, já explica isso - discursos aparentemente contraditórios, na verdade, representam multiplicidades. Em outras palavras, e usando um esquema 'tripartite': enquanto a parte mais "ética" dele quer tirar alguma lição daquela experiência, a parte mais "ansiosa" não quer perder a chance de encerrar 'a angústia do silêncio', já a parte mais "tecnocrática" vai jogando informações até encaixá-las de uma maneira que a esclareça melhor, e assim por diante. Conclusão: não é ressentimento, mas talvez a insegurança em lidar com as próprias emoções, a imaturidade de um rapaz com uma trajetória tão previsível como a dele.
- Hum, faz sentido. Eu já sentia essa falta de discrição - e mesmo de tato - do César desde que nos conhecemos, há uns seis anos. Esse jeito "nada a esconder" dele, por um lado, é preocupante e lamentável, mas por outro - e nisso concordo com você - pode também ser visto como uma maneira que pessoas como ele utilizam para, sei lá, encontrarem a si mesmas. É uma opção arriscada (e que pode causar estragos), mas, se ele aprender algo de bom fazendo desse jeito, não é tão reprovável assim.
- Que bom que você entendeu, Henrique. E, melhor ainda, não me acusou de ser "uma realista cínica" (algo que a Júlia adoraria ser chamada, ao contrário de mim). Já estava meio cansada de ficar tentando lhe convencer que o César não é um monstrinho normativo e tragicômico. Mesmo que isso soe sádico, fico feliz por ele ter tido essa situação com a Flor, pois, agora, ele poderá ter um caminhar menos pesado e aproveitar a vida mais tranquilamente - como ele mesmo parece, enfim, querer.
- Tomara, Giovana. Tomara. Mudando de assunto, vai votar na minha chapa?
- Céus, vai começar tudo de novo...
05 Maio 2009
Linger
É uma pena que você, mais uma vez, tenha malogrado (não reciprocidade, desencanto, "choque de realidade"...). Porém, antes isso do que prolongar indefinidamente a ilusão de que poderia dar certo, não acha?
Só torço para que, de fato, você não guarde mágoas ou coisas do gênero. Algo certo você já fez: não caiu no pedestaltismo. Tanto buscou evitar lamentos platônicos, que soube desistir na hora certa. De fato, viver é muito mais do que circular pelo universo paralelo e normativo que você moldou para si mesmo. Fazendo uma citação piegas, "esse mundo é muito mais do que este campo de sonhos no qual dançamos - e eu quero ver esse mundo".
Agora, é focar-se em outros assuntos. Desafios acadêmicos, amizades enriquecedoras, festas promissoras e, é claro, o bom e velho auto-conhecimento. A tal da "extro-introspecção" - que, se não me engano, Giovana apontou em você - talvez faça sentido. Você realmente é muito voltado para si, para a sua mente, pensamentos e angústias; mas, ao mesmo tempo, gosta de externalizar essas impressões particulares, de dialogar com o mundo de pessoas e possibilidades que o cerca. Quereria eu saber lidar assim com a solidão inevitável a pessoas idiossincráticas como nós.
Rio-me de um tolo fato que agora me ocorreu: você deve ter estranhado o caráter tranquilo que prevaleceu nesse texto, muito diferente do meu tom predominantemente ácido. César, não se iluda: continuo sendo a mesma pessoa fria e sarcástica de sempre. Só não acho pertinente destilar meu veneno retórico em você antes de se completar sua "rehab emocional". Porém, não se preocupe; em breve voltarei a ironizar seu estilo de vida adoravelmente patético. Ceteris paribus, permaneço como uma influência conservadora e cética para você e suas falácias anfisistas. Até mais, e boa sorte na reta final de sua recuperação.
Júlia.
03 Maio 2009
Tender
É claro que os motivos pelos quais eu o classifico assim não são todos bons, mas unanimente corroboram para a minha tese de que 1º/5/2009 foi marcante. Além disso, vou aproveitar para falar um pouco de ontem, também.
Vamos aos fatos, portanto - e em forma de historinha, com personagens fictícios representando fatos reais e tudo mais (tirando o nome dos times do COPOL, que serão mantidos). É um post longo, portanto tenham paciência.
6h50. César acorda e começa a se arrumar para o COPOL. Ele navega um pouco na internet antes do colega que ia lhe dar carona chegar, uma hora depois. Seu 1º jogo era o terceiro do dia, mas conseguiu chegar a tempo para ver a partida de abertura do torneio.
Houve momentos engraçados, mas César estava mesmo era ansioso para duas coisas em particular: I - A partida de estréia, II - Quando Flor, a garota do "código", iria chegar. A primeira problemática logo se resolveu, e infelizmente seu time perdeu - de virada - o jogo, por 4 a 2, para os Campesinos Maquiavélicos, time formado majoritariamente pelo pessoal de seu semestre (ele está no Weber Brahma, onde é pelo menos 3 e até 6 semestres mais novo que o resto da equipe). Ele só jogou uns 3 minutos, nem dando para tocar direito na bola.
Sua mãe ligou, dizendo que tinha chegado a Brasília (uma surpresa, pois ela ainda não havia lhe dado certeza que iria), e disse que precisava buscar as chaves do apartamento. César falou para ela que seria muito longe (afinal, o COPOL foi no "ParkAway"), mas ela insistiu, e ele e o dono da casa passaram o endereço. Ela chegou durante o intervalo do 2º jogo do Weber (derrota de 2 a 1 para o Finado Chicó, em uma partida mais equilibrada do que o esperado), e o problema foi resolvido.
Pouco depois, o "código" chegou. Porém, seguiram-se horas em que César tentava falar com ela, mas não conseguia sair do bloqueio, trava. Até andava perto e/ou ficava a observando, mas não conseguia puxar assunto. Em uma das poucas ocasiões em que o fez, perguntou rapidamente se ela tinha ouvido o CD que ele lhe gravara, e, como ela disse "não", achou melhor não insistir. Comportou-se, contudo, como uma espécie de "garoto tímido com trejeitos de stalker", algo que não é novidade para ele.
O terceiro jogo foi uma pequena alegria no meio desse turbilhão de emoções. Empate em 2 a 2 com um dos favoritos (e decepções) do torneio, o AI-5, e um dos gols do WB foi... de César! Em meio à confusão dentro da área em um escanteio, conseguiu livrar-se da marcação, chutar, e a bola ainda desviar de leve em um zagueiro. Ele consideraria gol contra, mas todo mundo achou que foi um 'goal' dele mesmo, então, prevaleceu essa opinião, inclusive nos 'papéis oficiais' do jogo.
Depois disso, ele dividiu seu tempo entre acompanhar os jogos das demais equipes e ficar conversando com o pessoal na área principal, que tinha cozinha, cama elástica, cadeiras e tudo o mais.
Quanto ao futebol: no grupo A, o Finado Chicó (time do pessoal do 4º semestre), a despeito de algumas polêmicas (como escalar 1 jogador de fora do curso a mais que o permitido, algo que lhes custou 3 pontos), ficou em primeiro lugar, com 6 pts. Os Campesinos fizeram a mesma pontuação, mas perderam no confronto direto. AI-5 em 3º, e Weber em último, ambos com 1 ponto, mas estes tiveram saldo de gols pior.
N'outro grupo, tivemos a ausência do time dos neófitos (Go Go Boys do Presidente), levando a um triangular: Butina de Ferro (5º e 6º semestres) venceu Medida Provisória (pessoal do 7º), que derrotou Os 8 de Brumário (9º semestre), que também perdeu para o Butina.
Nas semifinais, que foram sob forte chuva, os Campesinos Maquiavélicos perderam por 4 a 1 do Butina de Ferro, enquanto que o Finado Chicó superou o Medida por 2x1. Na finalíssima, o F.C. sagrou-se campeão, ao vencer de virada o Butina: 3 a 2. Foi um jogo tenso e emocionante. Porém, César acha que acabou sendo vencedora uma equipe que não tem tanto o espírito do COPOL. Algo lhe diz que eles levaram o torneio a sério demais, treinaram táticas, discutiram com a arbitragem, tinham torcida organizada... Faltou o caráter amador que tanto permeia o campeonato futebolístico da Ciência Política.
Agora, o assunto principal dessa pequena saga de César. Pois bem, ele continuou bancando o estranho quando via (ou tentava conversar) com a Flor, e a coisa não melhorou muito depois que ela começou a beber. Se ele já se sentia meio deslocado na hora de conversar com certas pessoas quando ambas estão sóbrias, a situação piora quando elas entram em "estado etílico" e ele continua clean. Não que ele as recrimine por isso, mas é inegável que surge certa, sei lá, desigualdade de condições mentais (e até físicas).
Pois bem, conversa vai, conversa vem, e César descobriu que um amigo dele, Edgar, poderia ser a pessoa de quem o "código" gosta. O rapaz não sabia que nosso protagonista estava apaixonado pela Flor, mas o descobrira, através de alguém, durante o COPOL. Só que, como ele estava bêbado, acabou contando mais do que o esperado (e até mais do que César gostaria de saber), sobre o passado e o presente dele e da Flor, levando César a ficar com uma dúvida cruel na cabeça: "Será que é ele mesmo o pretendido dela?"
Cerca de 15 minutos depois, ele teve a resposta. Edgar estava esticado em uma cadeira perto dele. Flor foi lá, conversou rapidamente com o rapaz, depois o puxou e saíram. César continuou assistindo ao jogo, embora preocupado. Pouco depois, ele não resistiu à curiosidade, e virou seus olhos para a esquerda. Eis a cena: a cerca de 30, 40 metros de distância, Flor e Edgar estavam... ficando.
César confessa que quase chorou na hora, mas estava tão perplexo com aquela situação que não conseguia se expressar com lágrimas. Foi ao banheiro, e ficou alguns minutos se olhando no espelho e conversando consigo mesmo, tentando entender tudo aquilo que havia ocorrido. Depois disso, seguiram-se duas horas e meia em que ele ficou andando a esmo (mesmo durante momentos em que estava chovendo), completamente desnorteado.
Pois é, a vida deu um baita tapa na cara de César. Ele teve sua 1ª experiência concreta no que diz respeito ao esquema "gostar de uma garota, ela saber disso, o 'pretê' dela também, e isso não impedi-los de ficarem em público". Foi um desencanto dos mais chocantes se deparar com uma situação daquelas. Nos casos de 10 e 15 d.M., o "não" das garotas foi mais simbólico e sutil, e não tão explícito.
Além disso, ele se depara com alguns outros problemas. Por exemplo, assumir uma postura ética de não querer se envolver com uma garota (por mais que goste dela) que tem algo com um amigo seu. Além disso, fica em profunda dúvida: será que vale a pena continuar sofrendo e insistindo em alguém que, muito dificilmente, será recíproca em relação ao seu 'gostar'?
Porém, César está certo de que deve analisar a situação por outras variáveis, afinal uma coisa é essencial: ele, em hipótese alguma, deve se fazer de vítima. Nosso protagonista está vendo claramente que é tolice culpar a Flor ou qualquer outra pessoa pelo que aconteceu anteontem. O problema é exclusivamente em relação a ele e suas atitudes (ou a falta delas).
E agora, o que fazer? A escolha mais sábia e sensata de todas seria esquecer a Flor, e tocar a vida para frente – sem ressentimentos e neuras, sem remoer nada. Além disso, ser mais laissez-faire a respeito de relacionamentos, evitando dogmas tais como “esperar a garota certa”. Porém, César sabe muito bem que uma coisa é ter um discurso reformista, outra é transformá-lo em prática. E é este justamente o maior desafio dele: reagir bem a esse “choque de realidade”, sem cair nos extremos.
Trilhas sonoras para seu novo momento não faltam. Além do “dark side” dos Pixies (“Hey”, “Where Is My Mind?”, “Is She Weird”, “Gouge Away”…), ele selecionou a sua música oficial do pós-fossa: “Tender”, do Blur. Consciente de que “tender is the day the demons go away”, ele faz coro à dor de cotovelo de Damon Albarn: “Come on, get through it. Love is the greatest thing that we have. I’m waiting for that feeling to come.”
Antes de encerrar a descrição de suas aventuras, César tentou relembrar-se rapidamente de como foi a noite de 1º de Maio. Tão intensa em eventos quanto o resto do dia, ela será injustamente minimizada e ofuscada por aqueles poucos minutos em que nosso protagonista teve a tal “revelação”.
Pois bem, ainda no COPOL, depois de horas de “caminhada deprê”, ele resolveu extravasar um pouco seu turbilhão de emoções reprimidas, e pulou na cama elástica durante alguns minutos, cantando alto algumas de suas músicas favoritas (é claro, aquelas adequadas para o que sentia naquele momento). Foi uma maneira de, simultaneamente, libertar-se um pouco de sua dor e fazer um contraponto à música ruim que estava tocando no som (forró e adjacências), e que as demais pessoas dançavam.
Mais tarde, ele pegou carona, em um carro lotado: sete pessoas. Após algum tempo na casa de um colega, ele saiu com alguns amigos (inclusive o próprio Edgar) para ver um show (gratuito, o que é melhor) de uma banda cover de Beatles. Foi um ótimo concerto, e apesar de ter chegado na parte final da apresentação, César ainda pôde conferir (e cantar junto) 8 ou 9 canções do quarteto fantástico de Liverpool.
Depois, eles foram fazer um happy hour dos mais gaiatos, que só foi acabar às 4 da manhã. Mesmo estando sóbrio durante todo o tempo, César não ficou deslocado durante àquelas horas. Pelo contrário, ele compartilhou das risadas de seus colegas, e por alguns momentos chegou até a esvaziar sua cabeça sobre os eventos problemáticos da tarde daquela sexta-feira.
Além disso, ele fez um esforço para contar para si mesmo “o dia seguinte” – o sábado, dia 2. Sua mãe veio lhe fazer uma visita, eles conversaram, foram fazer compras, almoçar, e em torno das 4 da tarde, ela iniciou a viagem de volta para casa, e ele foi até a biblioteca de sua universidade. Objetivo? Pegar o ônibus de graça que iria até o CCBB, onde ele tinha marcado de encontrar dois amigos para verem uma exposição sobre a Virada Russa, movimento de vanguarda do início do século passado. A noite foi ótima, e, após a exposição, eles foram comer crepes, enquanto tinham conversas divertidas e produtivas.
César, às onze da noite, chegou a seu recinto, ficou na internet até 2h30, pensando em coisas que escreveria em um texto-resumo de seus últimos dois dias. Acordou rapidamente às 5h30 e às 7h30, mas voltou para a cama e repousou até meio-dia. “E o resto é silêncio”.
30 Abril 2009
Pacote de Abril
5 - Atividades paralelas, como a SINUS 2009 e a campanha eleitoral para o pleito do DCE/RD, que me ajudaram a ser mais sociável.
4 - Desenvolvimento acadêmico, graças a matérias interessantes e iniciativas de tentar criar uma pesquisa.
3 - Ótimas festas, desde o Móveis Convida até a Celebrar Brasília.
2 - Primeira vez que me apaixonei para valer por uma garota desde 2005.
1 - Uma nova atitude diante da vida: mais transigente, pragmática e extrovertida.
Nem preciso falar muito sobre cada um deles. É só ler os posts abaixo para 'further information'.
No mais, meus últimos três dias foram especialmente legais.
A terça 28, por causa das aulas (HSPG foi um escracho só, TRI teve debates curiosos), a reunião da chapa 4, o reencontro com o "código" (não a via há 13 dias, e aproveitei para entregar o CD) e, à noite, o show em que fui com uma colega minha - e teve McDonald's na volta!
Ontem, 29 de Abril, em razão da aula de TPC sobre Movimentos Sociais (que é uma linha teórica menos chata do que eu imaginava), PPSE sobre partidos no Império, o debate entre as chapas (boa ocasião para diferenciar as propostas e estilos de cada uma delas), conversas incríveis... Ah, e paguei a inscrição no Politéia (agora, é torcer para ter saído com o DEM na comissão de Reforma Política).
E hoje, 30/04, porque teve Cinema Político (assisti a um filme bem esquisito, "Madeinusa"), novas medidas para ser um monitor de TPM melhor, papos hilários e um clima de 'ufa, a semana acabou!'.
Acho que vou parar por aqui. Estou bem cansado, e amanhã tem COPOL - e, talvez, Landscape ou Galleria à noite. Além disso, terei uma nova ocasião para falar com ela (d'you know what I mean?), desta vez mais abertamente. Ou seja, três eventos importantes já no debut de Maio, hein?
27 Abril 2009
Caos mental hiperbólico
Amanhã faz 1 mês desde o início do meu 'gostar'. Eu nem precisava fazer drama sobre isso, mas, sei lá, adoro datas comemorativas, mesmo quando elas refletem malogros. 12 dias sem vê-la, oh yeah. Porém, continuo naquele estágio 'nem tão mal quanto poderia estar'. Felizmente, não me apaixonei em uma época down da minha vida, como ocorreu em 2005. Por isso, posso contrabalancear este insucesso com várias outras variáveis positivas.
Uma delas, é claro, é a vida social. Estou me arriscando mais, seja no sentido de conversar com as pessoas, como também nas saídas noturnas. Sábado, por exemplo, fui na Celebrar Brasília 2009, uma festa ao ar livre com música eletrônica pela noite inteira. Fui sozinho, a despeito de ter ligado para vários(as) amigos(as) procurando alguém para ir comigo. Porém, dei a sorte de encontrar um colega por lá, então não fiquei 'on my own' na festa.
O único problema da Celebrar foi o caráter friedmaniano ("There ain't no such thing as a free lunch") da mesma: embora anunciada como 'entrada franca' em tudo que é lugar, era preciso retirar ingresso na Chili Beans + doar um livro infantil. Achei facilmente o 2º item, mas os ingressos já haviam se esgotado. Resultado: tive que comprar de cambistas. 7 reais saiu até barato, pois vi gente pagando de 15 pra cima.
A trilha sonora estava ótima. Electro "ortodoxa", por assim dizer, em uma mistura de techno, drum 'n' bass e pitadas de outros estilos. Dancei bastante, basicamente por dois motivos:
1. I love to dance, doh.
2. Única diversão física/mundana disponível. Afinal, já que não bebo, fumo, fico ou namoro, o que me resta senão dançar?
Só fui embora umas 4 da manhã, a propósito. Resultado, acordei com o corpo moído no domingo, mas ainda deu para assistir à F1, almoçar pizza, cochilar, passar horas na internet e fazer meu fichamento de TPC (a propósito, gostei de Putnam e seu neotocquevilianismo).
Hoje, no entanto, acordei com uma obrigação que poderia muito bem ferrar com meu planejamento: terminar a prova de PB1. Acordei às 4h30, e concluí a prova às 7h40. Salvei o arquivo no pen-drive, saí correndo para a universidade e cheguei a tempo pra responder à chamada do professor e imprimir o trabalho. Modéstia à parte, mas acredito que ele ficou interessante. Qualquer dia desses posto o texto na íntegra por aqui.
No mais, tive um dia bacana. Aulas interessantes de TPC e Partidos (o que não é novidade, obviamente), encontros políticos - estou ficando mais por dentro do processo das eleições para o DCE e RD (b.t.w., para os unbistas que estiverem lendo isto: votem na Chapa 4, e visitem este blog para mais informações sobre a mesma) - e conversas gaiatas.
Além disso, decidi me inscrever no Politéia, mesmo tendo acabado de sair de uma simulação. Só espero que discutir a Reforma Política como um deputado do DEM (ou do PSDB, se não conseguir vaga pra 1ª opção) seja suficientemente divertido e elucidativo para compensar mais um mês de simulador.
Comecei a ouvir algumas bandas novas, como a inusitada Montage (única maneira de me fazer ouvir funk, pois ele está diluído em letras em inglês e fusão com electroclash e pop) e a cult Fleet Foxes. De quebra, Belle & Sebastian finalmente está se consolidando no meu cânone musical. Tentei gostar deles em 2005 (e vem dessa época minha predileção por canções como "Judy and The Dream of Horses"), mas ainda não era época de curtir 'chamber pop', sabe? Ah, também ando redescobrindo Big Star.
Por último, queria voltar a ler. Pensei que tinha voltado à ativa com "Solaris", mas foi alarme falso. Ainda estou em ressaca literária, e desta vez nem é por preguiça, é por falta de tempo mesmo. Afinal, estou a alocá-lo em leituras obrigatórias, fichamentos, controles, internet, socialização etc. Além do mais, li cerca de 100 livros entre Julho/07 e Dezembro/08, então é hora de tentar consolidar ensinamentos e sacadas que eles me proporcionaram. Au revoir.
24 Abril 2009
Funny/Sad Little Frog
É aquela coisa: não poder expressar demais os sentimentos, para não parecer um carente patético; mas, por outro lado, não tendo a possibilidade de ficar calado sobre isso, para não perpetuar a auto-repressão de emoções. Resumindo: eis um jogo de 'lose-'lose'.
Já não a vejo há 9 dias, e hoje foi por uma questão de segundos que não a encontrei na sala dela, depois da aula. A única vantagem disso é que pude ir mais focado ("sem distrações") para a prova de Partidos. Escrevi 30 páginas (literalmente), e acho que irei bem.
É um saco isso; passo pelo momento mais feliz e triste dos meus últimos 3, 4 anos. Feliz, porque finalmente estou me livrando da hegemonia do Kaio pseudo-autista e aprendendo a viver; triste, porque um dos pilares dessa mudança é justamente uma paixão (por enquanto) não correspondida. Tudo bem que a garota fez a melhor coisa que me poderia acontecer quando contei para ela (reagir bem e entender), mas isso não elimina a angústia.
Não que eu esteja destruído emocionalmente. Pelo contrário, meus últimos três dias foram tranquilos. Tive aulas boas, conversas interessantes, estou criando um projeto de pesquisa, voltei a considerar a possibilidade de tentar entrar pro PET... Porém, faltava só um detalhe para tudo ficar perfeito. Só que esse 'detalhe' é justamente algo que faz a maior diferença.
Ok, vamos falar um pouco mais do projeto para tirar esse post da fossa. Eis uma transcrição da folha em que eu sintetizei os pontos principais.
- Área temática: Literatura e Política no Século XX.
- Mote: "Como a arte imita a vida e a a vida imita a arte".
- Perguntas-chave: "Por que os egoístas se organizam?" e "Como os egoístas se organizam?"
- Ferramentas analíticas: Crítica Literária, Teoria Política.
Obra em que será focada a análise: "Quem é John Galt?" ("Atlas Shrugged", 1957), de Ayn Rand (1905-1982).
- Bibliografia complementar: "Ação Humana", Ludwig von Mises; "A Virtude do Egoísmo", Ayn Rand; obras de ficção científica/distopia do séc. 20, como "Laranja Mecânica", Anthony Burgess, e "Admirável Mundo Novo", Aldous Huxley; obras de crítica literária, filosofia e teoria política que estudem temáticas como as bases do individualismo moderno, pluralismo e teoria de grupos, o contexto histórico dos EUA nas décadas de 40 e 50, e como os think tanks libertários fazem 'lobbying'.
- Alguns aspectos a serem estudados:
1. Teoria das elites x Pluralismo/grupos de pressão: como atuam libertários e social-democratas em "Quem é John Galt?";
2. Concepções de democracia, liberdade e participação política no livro;
3. Confronto filosófico: egoísmo racional x subjetivismo ético;
4. A relação do indivíduo com a sociedade, e como se opera a mediação cultural;
5. Contexto histórico de Ayn Rand - keynesianismo no pós-guerra, a polarização ideológica, o objetivismo;
6. Influência da obra - sucesso editorial, referências culturais, artistas e intelectuais inspirados, organização política dos "right-wing libertarians";
7. A resposta construtivista. Críticas à visão de mundo apresentada por John Galt;
8. Distopia de um lado, utopia de outro. Conclusões.
21 Abril 2009
E agora?
Agora, é tocar a vida para a frente, sem cair em monomania ou desespero platônico-pedestáltico. Continuar indo a festas, lendo, estudando, socializando etc. Aliás, agora que acabou a SINUS (mais detalhes sobre os últimos dias da mesma no próximo post), voltei à rotina, e já tenho uma tarefinha para amanhã: acordar às 4 e pouco, ler o texto do Lindblom e fazer o fichamento de TPC antes da dead-line (6 da manhã). Boa sorte para mim, e boa noite para vocês.
20 Abril 2009
Spirit and feeling. Heart and soul.
"Usando minha camiseta do Joy Division, pela 1ª vez desde nov/06. Ato simbólico para representar o fim do Kaio pseudo-autista.
Por quê? Não usar a camiseta (parei como 'promessa' depois do show do New Order) significava consentir com uma ideologia de lobo da estepe.
Logo, voltar a utilizá-la significa que, daqui em diante, "I don't give a damn" pra essas frescuras sistemáticas. "Dance to the radio!"
A propósito, hoje tem a 2ª festa da SINUS, e nessa eu vou mesmo. Espero que seja boa. =)"
Sobre os três primeiros parágrafos: pois é, quebrei aquela sina do JD. Não entendam com isso que passei a gostar menos da banda. Pelo contrário, ainda é uma das 4 de que mais gosto; talvez em #2, atrás apenas de Beatles. O problema é que ficar todos esses anos sem usar a camiseta deles (mesmo em ocasiões em que eu morria de vontade de fazê-lo) soava como submissão ao meu passado calculadamente soturno.
Sejamos mais específicos. A partir de Agosto de 2005, operaram-se várias mudanças na minha mentalidade, desde a política até o gosto musical. Além disso, foi naquela época em que me apaixonei pela última vez por uma garota antes da ocasião contemporânea. Desde então, Joy Division tornou-se a trilha sonora da vida solitária que forjei para mim. Isso foi especialmente sintomático em 2006, ano em que eu só saía pra shows de rock, como os que ocorriam no Martim Cererê. E ainda teve o show do New Order, outra banda sintomática do Kaio que era naquele tempo. Em '07, então, quase não saí, porque foi um ano de 'book worm', assim como 18 d.M., com a diferença de que este, por ser meu 1º ano de faculdade, também me possibilitou expandir minha vida social e noturna.
Eis o ponto. Entre o fim do ano passado (ANPOCS, radicalização ideológica posta em xeque, dúvidas existenciais etc.) e agora, Abril de 2009 (paixão por uma garota, extroversão assumida, combate ao 'way of life' sistemático e neurótico), estou a viver uma fase de transição, em que tenho que escolher entre continuar sendo o Kaio pseudo-autista ou deixar o Kaio 'prafrentex' ter liberdade de expressão.
Tudo indica que, finalmente, farei uma escolha pragmática na minha vida; logo, o meu eu mais dark e anti-social, além de desconstruído, também está sendo decomposto. E, hoje à noite, em um momento super banal (escolher roupa para ir na festa da SINUS), tive uma epifania de araque: "por que não usar a camiseta do Joy Division?" Aí, veio a decisão fatídica: usá-la pela primeira vez em quase 30 meses, enterrando de vez os fantasmas dos quase quatro anos em que sofri de 'excesso de superego'.
Se isso vai dar certo ou não, ainda está incerto. Para início de conversa, ainda há um outro objetivo paralelo (que as coisas dêem certo com a garota do "código"), o que complica essa auto-revolução. Porém, estou confiante, e sei que esta é uma das últimas chances que tenho na minha vida de ser uma pessoa menos frustrada consigo mesma. Então, repito: "dance to the radio!"
19 Abril 2009
Auf Achse
O problema é que não a vejo há 4 dias (putz, pessoas que estão em "crush" vivem em eterna dilatação do tempo, não é?), e nem sei se ela vai poder sair nos dois dias e meio que restam antes do fim do feriado.
Até que estou conseguindo fingir meus sentimentos, mas agora estou desconfiado de que ela "já sabe", portanto também está, digamos, blefando. Será? O fato é que, embora não esteja mais tão impulsivo, ainda sinto algo forte por ela, e as músicas que me fazem pensar nela não saem da minha cabeça, mesmo quando estou escovando os dentes, esperando um ônibus ou conversando com outras pessoas. Credo, nem me lembrava que estar apaixonado podia me deixar tão monomaníaco.
No teste do OkCupid, por exemplo, mudaram até o tipo de personalidade no qual eu me encaixo. Se antes eu era o "Come-Quieto" (previsível, gentil, sexual, inexperiente), agora sou o "Slow Dancer" (previsível, gentil, romântico, inexperiente). Tudo isso porque passei a ter respostas diferentes para umas 2 ou 3 perguntas decisivas, do tipo "Se você tivesse que escolher entre ficar com o amor da sua vida e mudar de cidade/país para ter o emprego dos seus sonhos, pelo que se decidiria?".
Vamos mudar de tópico. A SINUS 2009 vem sendo bacana, embora não mude minha idéia de que esta será mnha 4ª e última simulação. Ser diretor-assistente e fazer tudo que o cargo permite (moderar com o martelo e o cronômetro, imprimir e xerocar documentos de trabalho, escrever no quadro a lista de oradores...) é uma experiência divertida. Brincar de burocrata é legal, mas, sinceramente, não gostaria de passar o resto da minha vida no setor público e/ou diplomático. Ainda continuo com o propósito de ser um intelecual (lembrando que é no sentido substantivo da palavra, e não no adjetivo): professor, pesquisador e escritor.
Já se foram 4 sessões desde ontem. Na sexta-feira, houve o treinamento de regras e a cerimônia de abertura. O EcoSoc vem demonstrando ser um bom comitê, com poucas pérolas e deslizes e muitos (as) delegados(as) com boa retórica.
Minha TV não está funcionando direito, então tive que assistir ao GP da China pela internet mesmo. Não foi tão ruim assim; tanto é que me utilizarei desse expediente nas próximas vezes em que não puder ver Fórmula 1 pela televisão.
Rubinho rodou no início da prova, e isso lhe custou uma osição para Button, que chegou em terceiro. O 4º lugar de Barrichello não foi de todo ruim, pois o manteve na vice-liderança do campeonato. Porém, lembrem-se o piloto tem agora a maior chance da sua carreira de ser campeão mundial; finalmente, possui ao mesmo tempo um bom carro e nenhum adversário fora-de-série (Schumacher). Logo, ele não pode perder terreno para seu colega de equipe logo nas primeiras etapas, do contrário desperdiçará uma oportunidade única.
No mais, Massa mais uma vez sofreu com os problemas de sua Ferrari, e abandonou quando estava em 3º lugar (ou seja, dez posições a mais do que aquela em que largou). Vettel, com todos os méritos, ganhou a corrida, consolidando-se como um ótimo corredor em condições chuvosas. E Lewis Hamilton, apesar do sexto lugar, fez algumas lambanças que o impediram, quem sabe, de conseguir um pódio.
Tenho duas provas nessa semana que se inicia - Política Brasileira 1 e Partidos. Ainda não estudei diretamente para elas, mas pretendo fazê-lo nos próximos dias (quem sabe ainda hoje).
15 Abril 2009
April Skies
Amanhã assistirei a "Procura-se Amy" no Cinema Político. Já o vi 2 ou 3 vezes, mas não custa nada curtí-lo novamente. Além de meu favorito do Kevin Smith, este foi também um dos filmes que mais me influenciou nos últimos 3, 4 anos. A mensagem que ele passa, em meio ao tom nerd-escracho, pode ser resumida em algumas frases, quase aforismos:
1. Não importa quem você ama, mas sim como.
2. O passado da pessoa importa? Só até o ponto em que você se torna paranóico(a) em relação a ele, esquecendo-se que as pessoas mudam. No final das contas, só o momento é que importa.
3. Eles(as) não me usaram; fui eu quem os(as) usou. Aquilo não teria acontecido se eu não quisesse. Você pode ter um caminho que vai de A a B, mas eu sou uma pessoa experimental.
4. Amar alguém que você considera a epítome de tudo que se pode procurar em outro ser humano.
1. Essa é tão fundamental para entender a trama que aparece até no cartaz de "Procura-se Amy". E acho que é uma 'quote' autoexplicativa, mas será aprofundada nas três demais.
2. Não é hedonismo falar que a única coisa válida em um relacionamento é o 'agora'. Pelo contrário, é sensatez, nem sempre colocada em prática pelos 'lovers'. Ficar esmiuçando o que pessoa fez 'antes' pode ser dolorido, além de destruir a confiança mútua.
3. Os dois personagens principais, Holden (qualquer semelhança com o protagonista de "O Apanhador no Campo de Centeio" não é mera coincidência) e Alyssa, têm níveis de experiência de vida bem distintos. Porém, isso não deveria ser motivo para ele se sentir inferior (ou mesmo melhor) que ela; o fato de seguirem trajetórias diferentes apenas revela que o amor não exige homogeneidade no sentido da 'bagagem' que cada um traz de sua(s) vivência(s).
4. Holden e Alyssa tiveram aquilo que, tempos atrás, eu chamaria de 'amor storge', por ser uma amizade que gradualmente virou romance. Epítome, porque há um sentido de "you complete me", mas sem (necessariamente) cair no pedestaltismo. Ele tomou a iniciativa da revelação, mas tudo indica que ela sentia o mesmo afeto por Holden.
Mudança de assunto. Embora eu não tenha mais tempo livre para ler coisas aleatórias, estou gostando bastante da maioria das matérias que peguei nesse semestre. Nem os fichamentos e controles me desanimaram. Destaques para Teoria Política Contemporânea e Partidos Políticos e Sistemas Eleitorais.
Caramba, três fins de semana seguidos em que eu saí: 28, CHUCAPOL + 29, cinema; 3, Móveis Convida + 4, Calourada; 11, Balaio. Gostaria de um 4º, a despeito da SINUS, que ocupará boa parte do meu tempo entre os dias 17 (sexta) e 21 (terça). A própria terá duas festas, uma no sábado (Wonderland) e outra na 2ª (Monstros), mas queria fazer outra coisa na Saturday night. Vou ver se combino algo com meus amigos(as).
12 Abril 2009
Uma mudança de planos
Não que eu tenha desistido da pessoa, mas percebi que a estratégia que vinha adotando era suicida. O ultra-romantismo, justamente por ser intenso, é efêmero e traz seqüelas. Em outras palavras, seria estupidez repetir meu erro de 2005: obsessão pela garota, não-reciprocidade, perda da amizade dela e, 3 semanas depois, morte súbita da paixão.
Isso parece ditado popular, mas "quem muito quer, nada obtém". Portanto, não adianta eu partir com um rompante losermânico pensando que isso vai dar certo. Este foi o grande erro dos nerds e 'inexperientes no amor' durante toda a história da humanidade, e eu não quero entrar (novamente) nesta galeria. Não quero um novo fracasso, e, vinte dias depois, perder todo o 'gostar'.
Portanto, vou continuar lidando com ela como sempre lidei: alguém com quem posso compartilhar risadas e dicas de livros e músicas. Isso não quer dizer mentir ou omitir sentimentos, mas simplesmente não agir de maneira precipitada e unilateral.
Como percebi os erros que cometia? Conversando com uma amiga minha, ontem à noite, que me recomendou largar boa parte dos planos malucos que eu tinha para a revelação; por exemplo, o encarte do CD e o 'desabafo' durante o cara-a-cara. Acho que ela tem razão, pois, se deu errado para mim fazendo do jeito ortodoxo, não custa nada tentar o jeito 'whatever'. É aquela coisa do "não tão a fim": pessoas 'fáceis' demais nunca conseguem o que querem.
Ok, vamos falar agora sobre minha Saturday night. Fui com esta amiga ao Balaio Café, e passamos a noite inteira conversando. Conheço-a desde a 6ª série, e já fomos até meio que 'inimigos' na época do Ens. Fundamental, mas com o tempo deixamos as rixas de lado, rs. A conversa foi bem equilibrada; ela falou muito da vida dela, e eu bastante da minha. E as dicas preciosas que ela me deu sobre relacionamentos me levam a ampliar aquele ditado que bolei mês passado por aqui: "é hora de ser menos Smiths e mais Suede", mas também "menos Werther e mais John Galt, menos Los Hermanos e mais Franz Ferdinand". Ou, melhor ainda, parar de ficar comparando sua vida com bandas e livros, que tal? Afinal, a guerra ao Kaio quixotesco está declarada. Tchau.
09 Abril 2009
If She Wants Me
Olha, nem sei mais o que fazer e não fazer, como dizer e aceitar a (muito provável) rejeição, muito menos o que será de mim depois da revelação. Porém, já estou passando pela terrível "espera", vontade imensa de falar com a pessoa, mesmo que seja pela internet. Estou gravando um CD para ela justamente para centrar meus esforços em alguma atividade mais, hã, 'produtiva'. Escolhi 15 faixas que sei que ela gosta, mais 4 que eu deduzo que ela possa curtir. Também estou escrevendo uma cartinha bem à la Elizabethtown (filme que tanto eu quanto ela adoramos) para vir como encarte do álbum. Mal posso aguardar pela próxima vez em que a verei (tomara que seja nesse fim de semana), para entregar o CD e aproveitar para, 'cara-a-cara', abrir o jogo para ela.
Sei que este é o momento para a revelação. Já fui sensato o suficiente para não dizer logo de cara (o que seria um desastre certo), erro que cometi tanto em 2000 quanto em 2005. Além disso, conheço-a há 8 meses, mas só passei a vê-la com outros olhos nas últimas duas semanas. É incrível o fato de que saí com ela tantas vezes (livrarias, shows, ajuste de matérias, caminhadas despretensiosas) e não tinha ainda realizado que eu sentia algo forte, que não era mera amizade. Sinal de que tive tempo para "amadurecer" meus sentimentos. Normalmente, eu chamaria isso de 'amor storge', mas percebo cada vez mais que preciso ser menos teórico nesses assuntos ("existe ou não razão nas coisas feitas pelo coração?"). Isso atrapalhou-me muito nas ocasiões passadas, e não quero repetir este erro.
A garota em questão tem tantas características que se encaixam naquilo que eu chamaria de 'ideal' que acho até tolice minha continuar com estas comparações abstratas. Ela é real, e ponto final. Justamente por isso gosto tanto dela: não precisei recorrer à minha imaginação para encontrar uma pessoa tão fantástica que mexesse com meu coração. Fico surpreso por ainda estar equilibrado, mesmo que dividido entre o sentimentalismo e as tentativas (em vão) de racionalizar meu 'gostar'.
Não sei no que tudo isso vai dar, se eu reagirei bem a um "não". Será que vou ficar arrasado, e chorar por uma garota pela 1ª vez em mais de 40 meses? Ou pelo contrário, aceitarei tudo tranqüilamente para pelo menos não perder a amizade dela? Imagino que ela ficará perplexa, mas vai compreender que dei muitas 'dicas' do meu afeto por ela nos últimos dias e semanas. Agora, se for um "sim" (algo remoto e improvável, é claro)... sei lá, vou desmaiar, rs.
Acho que este é um momento decisivo do meu ano. Algo como a chance perfeita para que eu volte a ser humano, com coração e alma, independentemente do que vier a acontecer. A seguir, uma boba analogia ao livro: será que César encontrou a sua Júlia? I don't know...

